JULIETA 400 ANOS DEPOIS — NINA DE SOUZA-LIMA

Julieta 400 Anos Depois — a obra de Nina de Souza-Lima já pode ser apreciada no Museu Mineiro. A exposição fica em cartaz até 11 de maio. Esta pintura merece ser vista de perto, para suas pinceladas poderem ser, inteira e intensamente, admiradas.

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Nina de Souza-Lima ─ O Romeo, Romeo! wherefore art thou Romeo. 2016. Óleo/madeira. 100×80 cm.
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PINTORA NINA DE SOUZA-LIMA ATUALIZA JULIETA DE SHAKESPEARE

A pintora Nina de Souza-Lima promete uma surpresa com sua reinterpretação da jovem Julieta, personagem criada por William Shakespeare, cujos 400 anos se comemoram com uma grande exposição no Museu Mineiro. A abertura acontece hoje às 19 horas no prédio da avenida João Pinheiro, que já abrigou o Senado Mineiro e a Pagadoria Estadual. Pelo cartaz, pode-se ver o elevado nível dos artistas selecionados.

Cartaz Shakespeare 400

SEMPRE ME QUEIXAREI DESTA CRUEZA QUE AMOR USOU COMIGO — Camões

FORMAS POÉTICAS 36 — SEXTINA
A sextina é constituída por seis sextilhas, arrematadas por um terceto. As mesmas palavras repetidas formam as rimas. O final do último verso da sextilha anterior é repetido no primeiro verso da sextilha seguinte. Esse exemplo vem de Camões.

SEXTINA IV
Sempre me queixarei desta crueza
Que Amor usou comigo quando o tempo,
Apesar de meu duro e triste fado,
A meus males queria dar remédio,
Em apartar de mim aquela vista,
Por quem me contentava a triste vida.

Levara- me, oxalá, trás ela a vida,
Para que não sentira esta crueza
De me ver apartado de tal vista!
E praza a Deus não veja o próprio tempo
Em mim, sem esperança de remédio,
A desesperação d’um triste fado!

Porém já acabe o triste e duro fado!
Acabe o tempo já tão triste vida,
Que em sua morte só tem seu remédio.
O deixar-me viver é mór crueza,
Pois desespero já de em algum tempo
Tornar a ver aquela doce vista.

Duro Amor! se pagava só tal vista
Todo o mal que por ti me fez meu fado,
Porque quiseste que a levasse o tempo?
E se o assim quiseste, porque a vida
Me deixas para ver tanta crueza,
Quando em não vê-la só vejo o remédio?

Tu só de minha dor eras remédio,
Suave, deleitosa e bela vista.
Sem ti, que posso eu ver senão crueza?
Sem ti, qual bem me pôde dar o fado,
Se não é consentir que acabe a vida?
Mas ele d’ela me dilata o tempo.

Asas para voar vejo no tempo,
Que com voar a muitos foi remédio;
E só não voa para a minha vida.
Para que a quero eu sem tua vista?
Para que quer também o triste fado
Que não acabe o tempo tal crueza?

Não poderão fazer crueza, ou tempo,
Força de fado, ou falta de remédio,
Que essa vista me esqueça em toda a vida.

DE COLOMBINA O INFANTIL BORZEGUIM — Manuel Bandeira

FORMAS POÉTICAS 34 — RONDÓ [3]
O rondó simples tem três estrofes – duas quadras e uma sextilha – com a metade inicial do primeiro verso do poema a servir de refrão, em seguida à segunda quadra e à sextilha. Duas rimas – cruzadas nas quadras, com uma terceira rima na sextilha. O exemplo vem ainda de Manuel Bandeira.

RONDÓ DE COLOMBINA

De Colombina o infantil borzeguim
Pierrot aperta a chorar de saudade.
O sonho passou. Traz magoado o rim,
Magoada a cabeça exposta à umidade.

Lavou o orvalho o alvaiade e o carmim.
A alva desponta. Dói-lhe a claridade
Nos olhos tristes. Que é dela?… Arlequim
Levou-a! e dobra o desejo à maldade
De Colombina.

O seu desencanto não tem um fim.
Pobre Pierrot! Não lhe queiras assim.
Que são teus amores?… — Ingenuidade
E o gosto de buscar a própria dor.
Ela é de dois?… Pois aceita a metade!
Que essa metade é talvez todo o amor
De Colombina…

Manuel Bandeira, in Carnaval.

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